Consumo: Compras em alta favorecem o e-commerce

Nas lojas e na internet as compras estão em alta.

Do ano de 2001, considerado o marco zero desse novo varejo no Brasil, até 2010, a movimentação financeira das vendas através da internet cresceu 2.418% no País. E isso, sem considerar transações de automóveis, passagens aéreas e leilões.
Em 2001, as vendas on-line renderam pouco mais de meio bilhão de reais. A previsão do E-Commerce, site especializado do setor, é fechar 2010 com movimentação superior a treze bilhões de reais.
Os consumidores, que eram 1.1 milhão, já são 23 milhões. Mais que isso, a maneira de vender e comprar on-line é quase uma revolução na relação comerciante-consumidor.
Em julho, quando esteve na Europa, a secretária executiva Cláudia Regina Laghi, de Ribeirão Preto, deixou seu endereço eletrônico no banco de dados do hotel português onde se hospedou.
Algum tempo depois, recebeu a primeira  mensagem de um site de compras em grupo. Foi assim que conheceu a novidade que hoje já faz parte de seus hábitos de consumo.

Tentações online
Cláudia aderiu à novidade com entusiasmo, mas usa o bom-senso para evitar exageros. Ela sabe que, em excesso, mesmo com os descontos, é possível perder a medida e gastar demais.
O analista de sistemas Paulo Queiroz Filho não resiste, principalmente, às ofertas tentadoras de iguarias e delícias culinárias – muitas vezes por menos da metade do preço. Ele aprova sites confiáveis sem restrições.
O advogado Renato Cláudio Bin também acha o sistema coletivo de compras excelente: “é seguro, tem bons produtos e o preço é ótimo”.
Ofertas coletivas
O que chama a atenção dos consumidores virtuais é a variedade de ofertas: de pizzas a temakis. De sushis a porções de salgados ou embutidos. De chope a vinhos. De sanduíches a roupas. De fins de semana em hotéis a tratamentos de beleza. De cursos a viagens de férias. Há de tudo.
Quem entra, por exemplo, no site Groupon, um dos pioneiros do gênero, vê logo as ofertas para quem mora em Ribeirão Preto: um espumante argentino, “de R$ 40 por R$ 19,90”.  Desconto de 50%. Economia de R$ 20,10. Aviso: 426 já compraram.

Tira-gosto
E não é só o brinde de Ano-Novo que está na vitrine virtual. Um bar também oferece “uma porção de calabresa com duas cervejas, com pão e vinagrete”, por R$ 9,90. Funciona assim: você compra agora e o “cupom”  pode ser usado dentro um prazo de até três meses. Detalhe: normalmente o prato e a bebida custariam, no mesmo bar, R$ 30,90. Economia: R$ 21. Desconto: 68%. E o aviso: 708  já compraram.

Perda de peso
Uma terceira oferta, no mesmo site: um programa com orientação de cardápios promete perda de dois quilos em cinco dias. Preço normal: R$ 250. Preço no site: R$ 75. Desconto de 70%. Essas ofertas ficam disponíveis por tempo determinado. E vão mudando. Depois de se cadastrar, o internauta recebe e-mails informando as novidades.
É assim também que funciona o site “Vale Junto”. O consumidor se cadastra, recebe as ofertas e faz as compras. Uma delas: um salão oferece descontos de até 82% para tratamentos de beleza.

‘Que mágica é essa?’, pergunta-se o consumidor
Como é que os sites de compras coletivas conseguem vender barato? Para um ‘analista de plantão’ – o consumidor e empresário Dante Bocchi Jr.  –  só pode dar descontos grandes quem vende em grandes quantidades. Portanto, não há mágica: se vendem mais barato, é porque vendem muito.
E, apesar de as vendas serem virtuais, as lojas são reais. Com raras exceções, como no caso dos filmes on-line, o cliente tem que ir até o restaurante, até o pet-shop ou até o salão de beleza, por exemplo,  para consumir o que já pagou. E dentro da loja física, por  impulso ou qualquer outro estímulo extra, o consumidor pode, também, adquirir outros produtos – esses pelo preço normal, já que as ofertas são feitas só nos sites.
Aí é que, teoricamente, os comerciantes conseguem parte da compensação para os descontos concedidos. Há que se calcular, também, que os vendedores pagam taxas aos sites que hospedam suas ofertas. Somando desconto e despesa, ele obterá a conta que mostrará se, diante do volume de vendas, a opção por esse tipo de comercialização é vantajosa. Para o consumidor, parece não haver muita dúvida. Ele compra, paga, usufrui e ainda faz economia.

Riscos
Só é preciso tomar muito cuidado com a confiabilidade dos sites visitados: antes de entrar, é preciso ter boas referências de quem já usou. Outro risco na internet: as compras de impulso. Marilda, nome fictício, endividou-se fazendo muitas pequenas aquisições a “bom preço”. Apenas no final do mês, quando recebeu a fatura do cartão do crédito superior a R$ 4 mil, viu que havia estourado o orçamento doméstico com sucessivos gastos “inofensivos”.
Como toda novidade, esta é uma ferramenta  que exige prudência.

Mais de 75 milhões de consumidores estão na WEB
Em 2001, o País tinha pouco mais de um milhão de consumidores on-line. Em nove anos, este número aumentou nada menos que 23 vezes. E a tendência continua sendo ascendente, já que a internet ainda pode conquistar, para consumo nos sites de compras virtuais, pelo menos mais 52 milhões de internautas no Brasil, já que temos mais de 75 milhões de usuários.
É um mercado atraente, que tem mobilizado o desenvolvimento de sites, a instalação de lojas virtuais de todos os tipos e também tem motivado a pesquisa de ferramentas para aprimorar ideias criativas e rentáveis, o binômio mais adequado e mais convincente para quem se debruça sobre o universo on-line.

Pessoa
Pesquisa apresentada pelo site E-Commerce mostra que, de modo geral, o perfil do e-consumidor – o consumidor-eletrônico – é predominantemente de famílias que ganham entre R$ 1 mil e R$ 5 mil (60% do total), com grau de instrução  com curso superior completo ou superior incompleto (55% do total).
As idades desses compradores oscila entre 25 e 49 anos – e essa massa correspondente a essa faixa etária significa 70% dos usuários totais da Internet.
No ranking dos 10 mais,  a China vem em primeiro, EUA em segundo, Japão em terceiro, Índia em quarto e Brasil em 5º lugar.

via: Blog do e-commerce

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